Olá, meu nome é Jerome Vonk, holandês emigrante que viveu a maior parte de sua vida em São Paulo, na Capital. Cresci na zona sul, mudei para a zona oeste quando me tornei filho da PUC, Pinheiros é minha casa.

Mas agora eu moro no Uruguai, na bela cidade de Colonia del Sacramento, que é capital do departamento (que aqui equivale a estado) de Colonia. A cidade tem quase 30.000 habitantes, o departamento um pouco menos de 120.000. Pouca gente, não é?

O país inteiro tem 3 milhões e meio de habitantes; a metade está em Montevideo, o resto se esconde-se por todo o país. Mas chega de dados geográficos por hoje, voltamos ao assunto mais tarde.

Quando vim para cá, trouxe minha moto, uma bela Triumph de 800 e tantas cilindradas, para descobrir depois de algum tempo que é muita moto para pouco estrada. Na realidade, é muita moto para pouca estrada asfaltada. Porque o que tem de estrada de terra, caminhos pelos campos, trilhas pelas matas não está escrito. Tomei, portanto, a decisão de vender a moto, perfeita para o asfalto, péssima para cascalho e terra. Como ela está emplacada com placa de São Paulo, rumo em breve para minha velha casa, da qual eu saí mas que nunca saiu de mim. O trajeto básico será Colonia del Sacramento – Salto (ainda no Uruguay), Salto – Santo Antônio das Missões (RS), Santo Antônio das Missões – Treze Tílias (SC) – Treze Tílias – Curitiba (PR) – Curitiba São Paulo. É a viagem de despedida da moto grande – que vou trocar por uma menor e que ande na terra – para poder conhecer o Uruguay profundo (para usar uma palavra da moda, senão minha gíria me denuncia. Putz, acabei de fazê-lo. Quem ainda usa a palavra gíria, ou putz?).